2026 . O DNA DO SOM
Quando uma flauta toca um "Lá", ela não produz apenas uma frequência pura. Ela produz uma nota principal (fundamental) e várias outras notas bem baixinhas e agudas por cima, chamadas de harmônicos.
A quantidade e a força desses harmônicos variam de instrumento para instrumento. Se você tirar os harmônicos de uma flauta, ela vai soar menos parecida com um piano e mais parecida com um apito.
É por essa onda senoidal que geralmente as flautas parecem enjoativas se alguém escuta por muito tempo. Fica monótono. Fica um zumbido constante. E é pelo motivo contrário que o saxofone atrai tanto público.
A estrutura que eu escolhi para as flautas que eu fabrico é o pífaro brasileiro. De vários tamanhos. De várias afinações. São gigantescos, mas são pífaros. Olhem as flautas indígenas brasileiras e entenderão que temos flautas gigantes.
E por quÊ? Porque ela vibra. Ela ressoa. Ela reverbera.
E também é muito difícil de controlar.
Entretanto quando é acertado o controle, é das flautas mais interessantes.
O desafio do instrumento está aí: um piano tem um som percussivo. O som nasce de um golpe de martelo. Na flauta, o som nasce do ar (sopro).
Para parecer um piano, a flauta precisaria de um "ataque" muito seco e imediato, quase sem o ruído do ar.
Sustentação: O piano perde volume assim que a nota é tocada (decaimento). A flauta mantém o volume enquanto você tiver fôlego.
Para imitar o piano, o flautista teria que tocar notas curtas que desaparecem rápido.