2026 . SEMENTE DE LÓTUS
Eu tocava saxofone. Por conta do filme Blade Runner. É, eu gostava de Telonius Monk e John Coltrane. Kenny GJee, já detestava; revi seu canal hoje, a mesma mesquinharia.
E outra coisa que eu odiava eram as flautas. Meus pais me colocaram a aprender flauta com uns 6 anos. Nunca passei do do-re-mi.
Então um dia eu estava no centro de Santiago, Chile, e, vocês sabem de meu amigo Jaga, que mora em São Francisco, hippie-hipongamor, da classe dos seres-vivos conhecidos como hippies...
No centro de Santiago, neste dia, estava uma família completa de Jagadishas, cabelões até a cintura, barbões até a cintura, roupa de indígenas andinos, misturada com pena de papagaio, crânio de lagarto, dente de sei lá o que, herbas curativas e daninhas, pedrinhas da lua, conchinhas do mar, semente de Lótus.
Papai Jagadisha tinha uma sampolla gigante. Tocava o joelho dele. Haja pulmão... Jagadisha filho uma mamakena, Jagadisha filho menor tocava algo parecido com uma bansuri. Ainda tinha o jagadishinha com charango.
E mamãe Jagadisha com um tipo de percussão que parecia um pandeiro bem grande. BEM grande.
Em 1995 eu lbro de ter visto em um restaurante para turistas, um grupo pretensamente folclórico que me encantou. Tocavam El Condor. Vocês sa viram peruano vestido de indígena norte americano tocando em uma estação de esqui chilena?
Coisinhas para turista gravar, eu não sabia que era ruim. Então, numa, tarde, no centro de Santiago eu vi os originais. Eu parei para ver, e minha vida parou ali. Tocavam Mira Ninita, dos Jaivas.
Na parte do solo de flauta da música, que já estava sendo executada só por flautas, a parada ficou sinistra. Entrou na mente. Fixou. Converteu... Passei a gostar de flautas.
Eu aprendi a tocar flauta para tocar aquela música, e aprendi a fazer flautas para aprender a tocar aquela música. Minha pretensão, a Ramani, dizia que eu tocava sempre a mesma melodia. Sorte que ela toca a flauta e entendia que eu estava aprendendo. Toquei até acertar. Depois de ter acertado as flautas.
Entretanto, porém, não obstante, a flautinha Yamaha, tentei várias outras vezes, dei várias chances... Estou revendo, com 50 anos, várias coisas que não gostava em minha vida.
Para ver com um olhar maduro o que era e o que não era realmente ruim. E a flautinha doce é um ódio que eu tive com 6 anos, e um novo ódio que adquiri 40 anos depois. Oh, som horrorozinho.
Sem embargo, pese a isto, ainda assim, daí, vcs percebem o som da flauta de bamboo b4 , ou quando toco a flauta metálica de chave em c4: dois extremos. Uma reverbera tudo, a outra filtra quase tudo, uma fica parecendo um sax.
A outra é o som que se conhece por flauta, embora existam muitas flautas. Uma é boa para música suave, a outra eu gosto para músicas rápidas.
E a flautinha doce Yamaha é boa para fazer uma doação. Sou muito generoso com as flsutas de plástico. Já doei 3 esse ano. E estou recebendo a 4a doação. As pessoas gostam de serem misericordiosas com essas flautinhas de plástico.